As figuras silenciosas das praças
Salvador é pontuada por dezenas de monumentos, estátuas, bustos e obeliscos espalhados por suas praças e avenidas. A maioria das pessoas passa por eles todos os dias sem saber quem são aquelas figuras de bronze ou pedra. Roberto Pessoa faz questão de dar voz a esses homenageados silenciosos.
O Monumento ao Caboclo
Na Praça do Campo Grande (oficialmente Praça Dois de Julho), o Monumento ao Caboclo é talvez o mais simbólico da cidade. Inaugurado em 1895, a figura indígena pisando uma serpente representa a vitória do povo brasileiro sobre a colonização portuguesa.
Roberto explica a polêmica escolha do caboclo como símbolo da independência — uma figura indígena em uma luta travada majoritariamente por negros e mestiços — e como isso reflete as contradições da construção da identidade nacional brasileira.
Castro Alves na sua praça
O monumento a Castro Alves, na praça que leva seu nome, é obra do escultor italiano Pasquale de Chirico. O poeta é retratado de pé, com o braço erguido, em gesto de declamação — exatamente como seus contemporâneos o descreviam. A praça, que já se chamou Largo do Teatro e Praça da Piedade, recebeu o nome do poeta em 1923.
Estátuas que poucos conhecem
Roberto apresenta figuras menos conhecidas:
- O busto de Maria Quitéria na Lapinha — a heroína da Independência raramente recebe a atenção que merece
- O monumento a Zumbi dos Palmares na Liberdade — homenagem tardia ao líder quilombola
- A estátua de Tomé de Souza na Praça Municipal — o fundador de Salvador olha para o mar de onde veio
Obeliscos e marcos
Além das estátuas, Salvador possui obeliscos e marcos históricos que passam despercebidos:
- O Obelisco do Campo Grande — marca o local onde tropas brasileiras e portuguesas se enfrentaram
- O Marco da Sé — indica o local da antiga Catedral demolida em 1933
- O Cruzeiro de São Francisco — um dos marcos religiosos mais antigos da cidade
Monumentos que faltam
Roberto também reflete sobre as ausências. Onde estão os monumentos às mulheres negras que construíram Salvador? Às baianas de acarajé? Aos mestres de capoeira? As estátuas de uma cidade revelam tanto pelo que mostram quanto pelo que escondem — e Salvador ainda tem muitas histórias a homenagear em suas praças.
