Roberto Pessoa
Iemanjá: a Rainha do Mar que une a Bahia todo 2 de fevereiro
Religiosidade

Iemanjá: a Rainha do Mar que une a Bahia todo 2 de fevereiro

2 de fevereiro de 2025IemanjácandombléRio Vermelhoorixás

2 de fevereiro: o mar se enche de flores

Todo 2 de fevereiro, a praia do Rio Vermelho em Salvador se transforma no maior altar a céu aberto do Brasil. Desde a madrugada, pescadores, mães de santo, devotos e curiosos se reúnem para homenagear Iemanjá — a Rainha do Mar, mãe de todos os orixás das águas no candomblé.

As oferendas são colocadas em barcos enfeitados: espelhos, perfumes, flores, sabonetes, bijuterias — tudo o que agrada a vaidade da rainha. Ao entardecer, os barcos são levados ao mar. Se as oferendas afundam, Iemanjá aceitou os presentes. Se voltam à praia, é sinal de que algo precisa ser revisto.

Quem é Iemanjá

No candomblé, Iemanjá (Yemojá em iorubá) é a mãe dos peixes, senhora das águas salgadas e protetora dos pescadores. Seu nome vem do iorubá "Yèyé omo ejá" — "mãe cujos filhos são peixes". Na mitologia africana, ela é uma das divindades mais poderosas do panteão dos orixás.

Roberto Pessoa explica que Iemanjá chegou ao Brasil com os africanos escravizados, principalmente os de origem iorubá (nagô), e encontrou nas águas da Baía de Todos os Santos um novo lar. O sincretismo a associou a Nossa Senhora da Conceição — padroeira da Bahia — e a Nossa Senhora dos Navegantes.

A festa do Rio Vermelho

A celebração de Iemanjá no Rio Vermelho começou de forma modesta, como uma homenagem dos pescadores locais à mãe d'água que protegia suas jornadas no mar. Com o tempo, a festa cresceu e se tornou uma das maiores manifestações religiosas populares do Brasil.

Hoje, estima-se que mais de 500 mil pessoas participem da festa todos os anos. O clima é de devoção e alegria — rodas de capoeira, barracas de acarajé, cantigas de candomblé e muita música se misturam ao longo do dia.

Além do Rio Vermelho

A devoção a Iemanjá não se limita ao 2 de fevereiro. Em Salvador, ela está presente no cotidiano — nas casas de candomblé, nas conversas dos pescadores, nos nomes de barcos, nas músicas de Dorival Caymmi. Roberto mostra como a presença de Iemanjá na cultura baiana vai muito além de uma festa anual — é parte da identidade da cidade.

O que a festa ensina

A festa de Iemanjá é um exemplo vivo de como Salvador constrói sua identidade na fusão de culturas. Católicos, candomblecistas e pessoas sem religião se encontram na praia para celebrar juntos. Não há conflito — há encontro. E é esse encontro que faz de Salvador uma cidade única no mundo.